O preço da soja alcançou o maior patamar dos últimos
seis meses no mercado brasileiro, enquanto produtores se preparam para ampliar
novamente a área cultivada. A saca de 60 quilos fechou a sexta-feira (17.07)
cotada a R$ 141,02 no porto de Paranaguá, no Paraná, e o plantio da safra
2026/27 poderá ocupar 49,1 milhões de hectares no País.
O Indicador da Soja Cepea/Esalq para Paranaguá avançou
0,31% na sexta-feira e acumula valorização de 5,57% em julho. No mercado
paranaense, a saca encerrou a semana negociada a R$ 134,11, alta diária de
0,13% e ganho de 5,24% no mês, segundo o Centro de Estudos Avançados em
Economia Aplicada, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da
Universidade de São Paulo (Esalq/USP).
A sustentação dos preços ocorre em um período de menor
disponibilidade do grão no mercado interno. Em parte do Centro-Norte, cerca de
80% da safra 2025/26 já teria sido comercializada, segundo analistas do setor.
O volume ainda disponível inclui lotes com qualidade inferior, afetados
principalmente pelo excesso de umidade durante a colheita em algumas regiões.
Na prática, o estoque existente não significa
necessariamente maior oferta de soja com o padrão exigido pelas indústrias e
exportadores. Essa limitação mantém os prêmios firmes e ajuda a sustentar as
cotações brasileiras, mesmo diante das oscilações do mercado internacional.
O comportamento do câmbio, a demanda chinesa, os
embarques pelos portos brasileiros e a Bolsa de Chicago continuarão
determinando o ritmo dos negócios. A programação dos portos indica embarques de
aproximadamente 13,75 milhões de toneladas de soja em julho, volume que reforça
a disputa pelo grão disponível no mercado interno.
Enquanto o mercado administra a oferta remanescente da
atual temporada, os produtores começam a definir o planejamento do próximo
plantio. A primeira projeção para 2026/27 indica que o Brasil deverá semear
49,107 milhões de hectares, crescimento de 1,2% sobre os 48,5 milhões de
hectares considerados pela consultoria no ciclo anterior.
O avanço deverá se concentrar principalmente no
Centro-Oeste. Em Mato Grosso, maior produtor nacional, a área cultivada poderá
crescer cerca de 1,5%. Goiás deve seguir trajetória semelhante, embora os
produtores do Estado enfrentem uma situação financeira mais apertada, com
margens menores e maior dificuldade para financiar a próxima temporada.
A expansão também deverá alcançar áreas do Sudeste. A
tendência, porém, não é de abertura acelerada de novas fronteiras. Parte
relevante do crescimento deverá ocorrer em propriedades já consolidadas, por
meio da incorporação de áreas anteriormente destinadas a outras atividades ou
do aproveitamento de terras aptas ao cultivo.
A continuidade do avanço da soja, mesmo em um cenário
de rentabilidade menor, é explicada pelas elevadas produtividades obtidas nas
últimas temporadas. O desempenho das lavouras melhorou a relação entre custos e
receitas e manteve a atividade economicamente viável em diversas regiões,
embora com retorno inferior ao observado nos ciclos de preços mais altos.
Esse equilíbrio permanece frágil. Os fertilizantes
encareceram durante o primeiro semestre e elevaram o custo estimado para a
safra 2026/27. Diante das margens comprimidas, parte dos agricultores poderá
reduzir investimentos em adubação, tecnologia e manejo, decisão que diminuiria
o potencial produtivo das lavouras, principalmente se o clima também for
desfavorável.
Com a ampliação da área, a Safras & Mercado estima
uma colheita de 180,089 milhões de toneladas em 2026/27, ligeiramente acima dos
178,3 milhões de toneladas calculados pela própria consultoria para 2025/26. A
produtividade média foi projetada em 3.686 quilos por hectare, ou 61,43 sacas,
ante 3.692 quilos por hectare, equivalentes a 61,54 sacas, no ciclo anterior.
Os números diferem das estimativas oficiais porque
cada instituição adota metodologia e base de levantamento próprias. No
relatório divulgado em julho, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab)
calculou a produção de 2025/26 em 180,57 milhões de toneladas, obtidas em 48,64
milhões de hectares. A produtividade média foi estimada em 3.712 quilos por
hectare, ou 61,87 sacas.
Pelos números da Conab, a produção da atual temporada
cresceu 5,3%, a área avançou 2,7% e a produtividade aumentou 2,5% em comparação
com 2024/25. A colheita principal foi encerrada no início de junho, embora
ainda existam áreas menores em desenvolvimento em Roraima, Tocantins e Alagoas.
A companhia também elevou a previsão de exportações
brasileiras de soja em 2026 para 116,3 milhões de toneladas. O processamento
interno foi estimado em 62,57 milhões de toneladas, enquanto o estoque de
passagem deverá ficar em 8,8 milhões de toneladas, abaixo dos 9,3 milhões
projetados anteriormente.
O principal risco para a próxima safra está no clima.
A possibilidade de um El Niño mais intenso durante os meses decisivos para o
desenvolvimento da soja aumenta a preocupação com a distribuição das chuvas,
especialmente nas fases de florescimento e enchimento dos grãos.
O plantio deverá começar em setembro nas áreas onde o
calendário sanitário permitir e houver umidade suficiente no solo. Até lá, o
produtor terá de conciliar três fatores: a melhora recente dos preços, os
custos elevados dos insumos e o risco climático. O Brasil caminha para manter a
liderança mundial na produção e na venda de soja, mas o novo recorde dependerá
menos da expansão territorial e mais da capacidade de preservar a
produtividade.
Fonte: FAEP










| CONTRATO | US$/bu | VAR | |
|---|---|---|---|
| MAR 2026 | 1.059,75 | -2,00 | |
| MAY 2026 | 1.072,00 | -2,00 | |
| JUL 2026 | 1.085,25 | -2,25 | |
| AUG 2026 | 1.083,75 | -2,25 | |
| u00daltima atualizau00e7u00e3o: 23:47 (26/01) | |||
