Lei do Agro 3, fundo garantidor e Open
Finance do agro estão entre as alternativas de médio e longo prazo.
O crédito rural enfrenta um cenário de
crise. Os últimos anos foram marcados por preços baixos, aumento dos custos de
produção e sucessivas perdas provocadas por eventos climáticos. O resultado foi
o crescimento expressivo da inadimplência, como mostram dados do Banco Central
e da Serasa Experian.
A estimativa de maio do Banco Central
aponta que mais de R$ 202 bilhões da carteira de crédito rural eram
considerados ativos problemáticos, incluindo operações em atraso,
inadimplentes, prorrogadas ou renegociadas.
O número cresce e passa a casa dos R$ 250
bilhões se incluídas as dívidas privadas. Com uma inadimplência maior, o risco
para os credores também aumenta, o que faz com que bancos se tornem mais
rigorosos na hora de conceder crédito. Especialistas e o próprio setor têm
caracterizado o quadro como uma “tempestade perfeita” em desfavor da produção
agropecuária.
“O produtor não se endividou porque quis
crescer demais. Ele se endividou tentando continuar produzindo”, pontuou o
presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion
(Republicanos-PR).
O ritmo de crescimento das dívidas e o
início da safra 2026/2027 tornaram a renegociação uma pauta urgente. A FPA
acelerou a tramitação do Projeto de Lei 5.122/2023,
que trata do tema. No entanto, diante do entendimento político de que o texto
seria vetado caso fosse aprovado, a proposta não resolveria o problema de forma
emergencial. Por isso, a Medida Provisória (MP) 1.376/2026 foi
considerada o acordo possível com o governo para viabilizar a repactuação das
dívidas.
“A medida provisória resolve o problema
imediato, porque, com o Plano Safra já vigente, muita gente não conseguiria
participar, ter acesso ao crédito”, disse a vice-presidente da FPA,
senadora Tereza
Cristina (PP-MS). Ela lembrou ainda que pontos importantes do projeto de
lei foram incorporados à MP, como a possibilidade de renegociação das Cédulas
de Produto Rural (CPRs) e a ampliação dos prazos para pagamento.
Soluções estruturantes
Um dos avanços obtidos na articulação da
bancada foi a criação de um fundo garantidor para a agropecuária. A MP autoriza
a participação da União como cotista do fundo. A medida teve origem em uma
emenda apresentada pela senadora Tereza Cristina ao projeto de lei sobre a
renegociação das dívidas rurais.
O fundo não contará apenas com recursos da
União. Também poderá receber aportes de produtores rurais, Estados, Municípios
e instituições financeiras. O objetivo é criar uma proteção para as operações
de crédito em períodos de perdas provocadas por eventos climáticos adversos.
“Nós tínhamos alguns
desafios e pontos que deveriam ser tratados na MP. Um deles é termos uma visão
de futuro com o fundo garantidor que virá. É uma solução mais estruturante”,
enfatizou o vice-presidente da FPA na Câmara, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP).
Outra iniciativa voltada à melhoria do
crédito rural no médio e longo prazo é o Open Finance do agro. O Projeto de
Lei 3.123/2025 cria
um sistema de compartilhamento de informações do produto rural que reunirá
diferentes bases de dados em que os bancos poderão acessar de forma
simplificada. O acesso dependerá de autorização prévia do produtor.
O autor da matéria é o coordenador
Institucional da FPA, deputado Alceu Moreira (MDB-RS).
Na avaliação do parlamentar, o mecanismo poderá reduzir custos operacionais e
permitir uma análise mais personalizada na concessão de crédito, o que pode
resultar, por exemplo, em taxas de juros mais favoráveis. “O resultado direto é
a possibilidade de ofertar condições de crédito e seguro mais justas,
competitivas e acessíveis, beneficiando diretamente o produtor rural”,
complementou.
Atualmente, a proposta aguarda análise do
Plenário da Câmara dos Deputados, após a aprovação do requerimento de urgência.
Se aprovada pelos deputados, a matéria seguirá para o Senado Federal.
FPA discute modernização
A bancada também analisa um pacote de
propostas para modernizar a oferta de crédito ao setor agropecuário. As
mudanças, reunidas sob o nome de Lei
do Agro 3, abrangem ao menos 11 temas e têm potencial para acrescentar R$
800 bilhões à oferta de crédito.
Entre as alterações está a ampliação da
participação do capital estrangeiro no financiamento da produção. Esses
recursos costumam ser captados com juros mais baixos do que os praticados no
Brasil, o que torna a expansão dessa fonte uma alternativa para o setor.
O coordenador da Comissão
de Infraestrutura e Logística da FPA, deputado Tião Medeiros (PP-PR),
destaca que é necessário garantir que essa possibilidade também alcance médios
e pequenos produtores.
“Os grupos que exportam conseguem captar
dinheiro lá fora, mas o grande volume de produtores, o produtor médio e
pequeno, não sabe o que é isso e não tem nem acesso. A gente trabalhar para que
esses produtores também possam se beneficiar é fundamental”, afirmou o
parlamentar.
Fonte: Assessoria










| CONTRATO | US$/bu | VAR | |
|---|---|---|---|
| MAR 2026 | 1.059,75 | -2,00 | |
| MAY 2026 | 1.072,00 | -2,00 | |
| JUL 2026 | 1.085,25 | -2,25 | |
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