05/06/2026 11:06 |
Queijeiros medalhistas do Paraná participam de imersão na Serra da Mantiqueira
Viagem técnica por propriedades de São Paulo e Minas Gerais fez parte da premiação da segunda edição do Prêmio Queijos do Paraná.

Os dez vencedores da categoria Super Ouro da 2ª edição do Prêmio Queijos Paraná participaram, entre 17 e 30 de maio, de uma missão técnica promovida pelo Sistema FAEP por São Paulo e Minas Gerais. 
A iniciativa reuniu produtores de queijo e representantes de laticínios paranaenses em uma imersão pela Serra da Mantiqueira, com visitas a propriedades rurais, queijarias artesanais, laticínios, experiências gastronômicas e regiões tradicionais da produção queijeira brasileira.

A viagem faz parte do processo de continuidade da valorização dos queijos produzidos no Paraná. Segundo o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, o objetivo é proporcionar uma experiência prática de aprendizado aos participantes, troca de conhecimento e contato direto com diferentes realidades produtivas.

“O Prêmio Queijos Paraná reconhece a qualidade dos nossos produtos lácteos, mas também abre caminhos para que os produtores ampliem conhecimento, fortaleçam sua gestão e tenham contato com experiências que podem inspirar avanços dentro das propriedades”, destaca Meneguette. “O Sistema FAEP acredita no movimento de reconhecer, capacitar e aproximar o produtor, contribuindo com o desenvolvimento da atividade e possibilitando novas formas de agregar valor ao queijo”, complementa.

Ao longo da programação, o grupo passou pelas cidades de Jundiaí, Serra Negra, Amparo, Lambari, Itanhandu, Passa Quatro, Alagoa, Cruzília, Tiradentes, Ouro Preto e Belo Horizonte. 
O roteiro incluiu visitas a espaços como a Queijaria Capriolês, Cabanha Campestre, Fazenda Atalaia, Capril do Bosque, Instituto Curadoria do Queijo, Rancho Maranata, Queijaria 50, Queijaria Pérola da Serra, Queijaria 2M, Queijaria Jacuba e Fazenda Coqueiro.

Do prêmio à prática

Entre os participantes, a experiência foi recebida como uma oportunidade de observar diferentes formas de produzir queijo com identidade territorial. Rosane e Genilson Borosky, da Queijaria Meu Propósito, de Marechal Cândido Rondon, tiveram a viagem como um impulso para acreditar ainda mais no próprio produto. “Aprendemos detalhes que podemos aprimorar em casa, principalmente na maturação. A bagagem está cheia de ideias”, relataram.

Para mãe e filha, Elis e Cristina Colombi Rosso, da Produtos Elis, localizada em Diamante D’Oeste, a missão teve um significado familiar, além do profissional. “É uma oportunidade de conhecer outras realidades. Aprendemos sobre maturação e formas diferentes de trabalhar. Dá vontade de voltar para casa e colocar muita coisa em prática”, afirmaram.

Solange Liller e Ordilei José Dufch de Souza, da Tia Nena Produtos Coloniais, que fica em Cantagalo, destacaram o impacto da troca com produtores de São Paulo e Minas Gerais. Para eles, a viagem mostrou realidades diferentes, mas com aprendizados aplicáveis à propriedade. “A gente não volta querendo copiar, mas levando exemplos. Tem coisas que abrem a mente e ajudam a pensar em melhorias, principalmente na maturação. Também serve de inspiração para, quem sabe, criar um novo queijo para o próximo Prêmio Queijos do Paraná”, disseram.

Diferentes realidades, novos caminhos

Além dos produtores artesanais, a missão também envolveu representantes de laticínios e cooperativas. Para Cintia Fabiana Pereira Mora, representante da Frimesa, de Marechal Cândido Rondon, o contato com pequenas propriedades permitiu enxergar aspectos que, muitas vezes, não aparecem no ambiente industrial. “Ver o amor que os produtores têm pelo próprio queijo é muito válido. Quero levar isso para a empresa e mostrar ao pessoal esse carinho com o produto”, afirmou.

A experiência ampliou a visão de Rafaelle Cristine Mendes, da Cooperativa Witmarsum, em Palmeira, sobre o papel do queijo na cadeia produtiva. “Como queijista, é a viagem dos sonhos. Além dos queijos e das queijarias, é possível explorar o mundo do queijo como um conceito que vai além da produção, envolvendo turismo, conhecimento e experiência”, disse.

Na avaliação do casal Tatiane Jussara e Alcélio Bombacini, da Granja Santo Expedito, em Palotina, a missão permitiu observar diferenças culturais, técnicas e aspectos legais entre os Estados. “São realidades totalmente diferentes. A gente analisa erros e acertos, absorve bastante coisa e leva ideias para implantar na queijaria. Nunca conseguiríamos visitar tantas queijarias em tão pouco tempo sem uma organização como essa”, destacaram.

Para Luciana Shizue Matsuguma, técnica do Departamento de Organização e Gestão da Execução do Sistema FAEP, mais do que uma viagem, a iniciativa consolidou uma etapa de formação, intercâmbio e valorização dos queijos paranaenses premiados. “O objetivo é que o conhecimento adquirido pelos vencedores retorne às propriedades em forma de inovação, melhoria de processos, fortalecimento da identidade dos produtos e novas oportunidades para o setor queijeiro do Paraná”, conclui.

Fonte: FAEP

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